La pobreza en Argentina
Entre las estadísticas y la vida cotidiana
Palavras-chave:
pobreza monetária, transferências de renda, metodologia estatística, cesta básica de consumo, bem-estar multidimensionalResumo
Este artigo aborda a questão da pobreza na Argentina e as complexidades envolvidas na compreensão de por que os dados estatísticos não coincidem com a realidade cotidiana enfrentada por indivíduos e famílias. Adotando uma perspectiva crítica, o estudo examina as limitações metodológicas da abordagem de mensuração monetária unidimensional utilizada pelo INDEC. Destaca-se como o uso de cestas de consumo defasadas (baseadas na pesquisa ENGHo de 2004/2005) e a exclusão dos custos de aluguel levam a uma subestimação do custo de vida atual. Além disso, a análise demonstra que a redução estatística da pobreza e da pobreza extrema não decorre de melhorias no mercado de trabalho ou nos salários reais, mas principalmente do impacto das transferências estatais de renda — como a *Asignación Universal por Hijo* (AUH) — e de alterações técnicas na coleta de dados de renda que afetam a comparabilidade histórica. Medidas e estudos alternativos, como os do CEDLAS, apontam uma queda muito menor na pobreza e ressaltam a importância de transitar para modelos de mensuração multidimensionais, que reflitam melhor o bem-estar real e as condições de reprodução social das famílias na Argentina.